maio 21, 2009

Claro? Lógico!

Posted in Posts às 5:09 pm por Antonio

Todo desenvolvimento de uma linha de raciocínio funciona da seguinte maneira: define-se princípios, que nada mais são do que idéias fundamentais criadas com base no “eu acho que”, e dados esse princípios, desenvolve-se conclusões por meio de passos lógicos. Isso não se aplica apenas à matemática, que provavelmente é o primeiro pensamento que vem à mente, mas a qualquer idéia desenvolvida por meio do raciocínio.

Como exemplo de princípios temos os axiomas na matemática, os dogmas na religião, e de maneira geral, os princípios morais e leis da física. Princípios não são dedutíveis, simplesmente acredita-se que são verdade.

O que é um raciocínio correto ou errado? Assume-se que um raciocínio correto é um que parte de princípios “corretos” (que é uma definição um tanto quanto estranha), e por meio de passos lógicos corretos chega-se a uma conclusão. Logo, um raciocínio pode levar a conclusões absurdas se forem assumidos princípios “errados” ou caso os passos lógicos utilizados não forem corretos.

Vamos desenvolver algumas idéias interessantes. Primeiro partiremos de um princípio equivocado. Suponha que adição e multiplicação forneçam o mesmo resultado. Com base nisso, construiremos uma conclusão com base em passos lógicos:

3.2 = 3+2
6 = 5

Uma conclusão com base nesse princípio é que 6 = 5, o que é uma afirmação errada.  No entanto, note que os passos lógicos utilizadas para o desenvolvimento do raciocínio foram corretos. O erro foi no estabelecimento do princípio utilizado.

Ressalto que a idéia não vale apenas para matemática, mas para qualquer desenvolvimento lógico. Afinal, matemática nada mais é do que uma ferramenta utilizada para sistematização do pensamento.

O que faz de um princípio certo ou errado? Talvez nada. Quanto à física, por exemplo, basta examinar se as conclusões tiradas com base nos princípios explicam os resultados experimentais. Mas isso não garante que o princípio é verdadeiro, apenas garante que ele pode ser usado sob aquelas circustâncias. Quando falamos de dogmas, por exemplo, a veracidade ou não deles é apenas uma questão de fé. Quando assumimos essas idéias como verdadeiras ou falsas, estamos dizendo algo que não podemos ter certeza. Afinal, nesse contexto, o que é verdadeiro e falso?

Discutamos agora os passos lógicos. Mesmo que baseado em princípios “corretos”, se os passos lógicos não forem corretos, chegaremos à conclusões erradas. Vamos construir um raciocínio baseado na idéia de que grafite e diamante são formados por carbono.

Como grafite é formado por carbono e diamante é formado por carbono, conclui-se que grafite é o mesmo que diamante.

Sabe-se que isso é uma mentira. Embora tenhamos partido de uma idéia correta (grafite e diamante realmente são formados por carbono), o passo lógico utilizado não foi correto. Veja bem, duas substâncias formadas pelo mesmo elemento não são a mesma coisa, a estrutura de agregação dos átomos também tem um papel determinante nas propriedades.

Chegamos a um ponto importante. O que diferencia um passo lógico correto de um incorreto? Poderíamos definir se algo é lógico caso houvesse concordância da maioria absoluta das pessoas naquele aspecto. No entanto, imagine um grupo de pessoas com uma certa doença mental, todas com a mesma doença manifestando-se na mesma intensidade.  Colocamos essas pessoas isoladas em um certo lugar. Nessa nova sociedade, algo não-lógico para a sociedade “normal” poderia ser aceita nessa nova sociedade. Logo, podemos concluir que a lógica da sociedade “de loucos” seria diferente da lógica “convencional”, e portanto a lógica não seria algo absoluto, e sim uma invenção humana.

Dado isso,  podemos pensar se o que dizemos ser lógica é realmente válido, e o quão limitados aos nossos sentidos e percepção estamos.

Adicionalmente, note que todo esse texto foi desenvolvido utilizando a mesma lógica que digo talvez não estar correta, logo, no final das contas, o texto não tem valor algum. Se houver uma lógica correta, o texto está errado ao criticá-la. Se não houver, conclui-se que as idéias desenvolvidas aqui não são necessariamente construídas corretamente, e portanto o texto é inconclusivo.

Ultimamente ando com a mente bem aberta a novas idéias e portanto não pretendo impor meu ponto de vista, estou mais para iniciar pensamentos e discussão.  Ou talvez caos e destruição, entenda como quiser.

Que Deus abençoe a todos.

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