julho 25, 2007

Unicamp

Posted in Posts às 12:31 am por Antonio

Unicamp

Olá, caro leitor.

Desde que entrei na Unicamp, esse covil de nerds birutas, minha vida mudou. O ingresso nessa universidade fez com que ingressassem no meu dia-a-dia uma série de sentimentos e experiências nunca antes experimentadas com tanta intensidade: sofrimento, decepção e destruição da minha auto-estima. Claro que o fato de eu entrar nessa faculdade trouxe coisas boas, mas fingirei que não para manter o caráter trágico desse texto.

Para dar mais detalhes sobre essa catastrófica vida acadêmica, deixe-me contar como se deu a aniquilação de cada meta que tracei para minha vida estudantil, e conseqüentemente como se deu a aniquilação da pouca confiança que eu tinha em mim mesmo.

META 1: Bom desempenho acadêmico (a.k.a. boas notas)

Passado vestibular, meus problemas aparentemente tinham acabado, afinal, eu fazia cursinho e outra faculdade anteriormente (PUCK-Campinas), e agora teria bastante tempo livre fazendo apenas um curso. Logo, deveria ser fácil manter as boas notas que conseguia na PUC. Doce ilusão.

Ao decorrer do primeiro semestre, tomei ciência de como tinha que aprender mais coisas do que um cérebro em condições normais pode assimilar e também percebi quão preguiçoso e mal disposto ao estudo eu estava. Resultado: notas ruins e nenhuma perspectiva de melhora (pelo contrário) => Meta destruída.

Tive então que traçar uma nova meta, afinal, as ações de um homem precisam ser dirigidas para algum lugar, certo? Apesar de notas ruins, não precisei fazer nenhum exame (uma prova de recuperação que ocorre ao fim de cada semestre), o que me deu uma idéia para uma nova meta de vida.

META 2: Não pegar nenhum exame

Essa meta começou a ruir logo no começo do novo semestre, com uma matéria chamada “Circuitos Elétricos”, em que um professor (quase) mudo ensinava teoria avançada de circuitos para alunos, calouros e sem nenhum conhecimento anterior da matéria, usando um livro super resumido escrito para alunos de pós-gradução (e portanto já engenheiros). Claro que a culpa não é só do professor, afinal, eu estou longe de ser um aluno exemplar. O fato é que tive que fazer dois exames, um dessa matéria e outro de “Física Geral II”. Resultado: nova meta destruída.

Por estar em dia com o curso, ainda tive a esperança (e a burrice) para traçar uma nova meta para o terceiro semestre.

META 3: Não “bombar” (reprovar) nenhuma matéria

Devo mencionar que esse semestre foi o mais desastroso de todos. Inicialmente, tranquei (desisti da matrícula) a disciplina de “Introdução à modelos probabilísticos” devido ao professor louco/maluco/biruta/caduco/demente/psicopata. Antes disso, se deu o episódio da expulsão de um grupo de alunos de sua sala de aula (coisa raríssima em uma faculdade), grupo ao qual eu pertencia. Mas tudo bem, esse foi um caso isolado. Voltando a pensar na meta, como trancamento não é efetivamente “bombar” (embora tenha os mesmos efeitos), minha meta ainda estava de pé. Prosseguindo com a narrativa, bati o meu recorde pessoal de pior nota em uma prova (0,9/10) e no final do semestre consegui pegar 3 exames. Em um deles passei, e com larga vantagem, o que foi uma surpresa e um raro momento em que tive alguma alegria lá. Em outro exame, ganhei nota da professora na cara dura, senão ia reprovar. Embora satisfatório, isso é humilhante. No exame da última matéria, você já deve imaginar o resultado: BOMBA. Mais uma meta destruída. Para acentuar os acontecimentos ruins, perceba que passei quase com nota mínima em muitas matérias. Se pensar bem, eu consegui destruir todas as metas anteriores simultaneamente em um único semestre!

E agora, o que faço? Analisando o nível crescente de fracassos, dá pra perceber que as coisas vão piorar. Ainda por cima, estou com o curso atrasado devido a essas duas matérias. Será que posso ter esperanças e traçar uma meta como “conseguir me formar algum dia” ou simplesmente “sobreviver ao curso”? Bem, pelas experiências anteriores, não devo ter muita fé nisso.

Pra terminar, só gostaria de fazer um pedido a você, leitor. Caso tenha um pouco de auto-estima sobrando, não gostaria de doar? Na verdade, até compro, e pago bem. É que estou numa situação de emergência, a minha acabou… Quem sabe um pouco de paciência também?

Que Deus abençoe a todos.

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