dezembro 25, 2006

Papai Noel – uma análise científica

Posted in Posts às 8:31 pm por Antonio

Olá, caro leitor.

Primeiramente peço desculpas pelo imenso tempo sem publicar nada aqui. Esse blog ficou sem visitas, foi deletado dos favoritos de algumas pessoas, enfim, quase caiu no total e absoluto esquecimento. No entanto, aqui estou eu novamente, para encher sua cabeça de coisas inúteis. Talvez você esteja se perguntando a razão pela qual parei de escrever, talvez não, mas vou dizer do mesmo jeito. A razão foi minha inseparável companheira. Seja durante às aulas ou durante as férias, ela nunca me abandonou. Sempre me fazendo pensar várias vezes antes de fazer qualquer coisa, ela acabou se tornando parte de minha vida. O nome dela é Preguiça, aposto que você já conviveu bastante com ela também. Mas enfim, isso não importa nem um pouco.

Tive algumas idéias sobre assuntos sobre os quais escrever, mas essa acaba por ser a mais urgente, afinal, hoje é natal, e se passar de hoje não posso mais escrever sobre Papai Noel. Quando tive a idéia de fazer uma análise um pouco científica (sendo bastante pretensioso nesse comentário) sobre esse personagem, realmente fiquei animado, por um instante achei uma idéia inovadora. Para meu espanto, no entanto, enquanto procurava no oráculo (Google) por informações necessárias para essa análise, achei muitos e muitos textos escritos exatamente do jeito que eu pretendia escrever. Realmente ser diferente parece um tanto quanto complicado. Mas o fato é que fiz questão de não ler os outros textos, de modo que pudesse escrever algo original, mesmo que sendo sobre um tema tão explorado como esse.

Comecemos então com a grandiosa análise.

Todos conhecemos a lenda do Papai Noel. Um velho gordo de saco grande (!), vestido com uma roupa um tanto quanto original, barba por fazer, que por algum motivo desconhecido, bizarro e medonho, parte do pólo norte em um trenó puxado por renas voadoras e entrega presentes a todas as crianças do mundo. Será discutido a seguir diversos pontos a respeito dessa profissão única. Comecemos então pela fabricação dos brinquedos.

Diz a lenda que ele mora com vários duendes verdes no pólo norte em sua fábrica de brinquedos. Um mistério que até hoje permanece sem solução é a fonte de renda do Papai Noel, afinal, ele gerencia uma fábrica inteira e deve fabricar aproximadamente 2,1 bilhões de brinquedos por ano. Mesmo mantendo os duendes trabalhando em regime escravo, os custos com matéria-prima, energia elétrica, projeto dos produtos e pagamento das patentes dos brinquedos devem ser bastante elevados, fora o sustento dos duendes (mesmo que vivendo em condições subhumanas) e outros custos adicionais. Subestimando o custo final do produto em 1 dólar, temos 2,1 bilhões de dólares (que capacidade incrível de cálculo eu tenho) proveniente de “sabe-se lá onde” (pode até ser dinheiro sujo) gastos pelo Papai Noel para fabricação dos brinquedos. Outra questão interessante a respeito da fabricação dos brinquedos é o tempo de produção. Suponho que há 364 dias de trabalho no pólo norte (mais uma vez supondo a exploração dos pobres duendes verdes que não têm descanso), temos 8736 horas de serviço para produção dos 2,1 bilhões de brinquedos, o que nos leva a uma taxa de produção de 240.385 unidades por hora, ou 67 unidades por segundo. Essa taxa também está subestimada, visto que há o tempo de projeto dos produtos e toda logística da coisa, mas mesmo assim parece uma boa aproximação. Supondo que uma linha de produção consegue produzir 1 unidade por segundo se for rápida o bastante, precisaríamos de 67 linhas de produção trabalhando simultaneamente para atender à demanda. Um pouco mais na verdade, afinal, como são brinquedos diferentes, há o tempo de preparo da linha de produção para o novo produto, fora que, por mais mágico que tudo seja, as máquinas estão sujeitas a defeitos. Considerando que há dois turnos de produção, e que cada linha de produção exige ao mínimo 10 duendes, teríamos aproximadamente 1350 duendes trabalhando em regime escravo. Uma quantidade enorme de escravos com certeza necessitam de muitos carrascos, mas vou parar de me aprofundar por aqui, já estou ficando cansado. No final das contas, suponho uma população de 2500 “seres” no pólo norte e custo anual de 5 bilhões de dólares para manter a fábrica subterrânea do velho explorador.

Passemos agora para o aspecto do tempo das entregas. Diz a lenda que a meia-noite da véspera de natal (ou as 0 horas do natal, que seja), o Papai Noel faz as entregas de presentes às casas. Note que ao contrário do que muita gente pensa, ele não precisa fazer isso para todas as crianças ao mesmo tempo, isso seria impossível! Não se esqueça dos fusos horários, meu caro leitor. Sim, eu sei, mesmo assim continua impossível, mas pelo menos fica mais fácil (?!). Para possibilitar a análise, segue um mapa de fusos (que está arrasando a formatação do blog):

Para fins analíticos, defini 3 níveis de intensidade “criançal”, chamados (criativamente) de níveis 1, 2 e 3.

Nível 1: Considerado praticamente inabitado, definitivamente Papai Noel não entrega presentes nessa região.
Nível 2: Nível médio de crianças.
Nível 3: Oh yeah baby, muitas crianças, o dobro de uma região nível 2.

Encaixando cada faixa de fuso horário nos níveis, temos:

Nível 1: GMT -12, -11, -10, -2, -1, +11, +12.
Nível 2: GMT -9, -3, +10.
Nível 3: GMT -8, -7, -6, -5, -4, 0, +1, +2, +3, +4, +5, +6, +7, +8, +9.

Para terminar toda essa análise chata, fiz uns simples cálculos de proporção com as 2,1 bilhões de crianças no mundo para chegar aos números aproximados de crianças por cada região. Regiões nível 2 possuem 63,4 milhões de crianças e regiões nível 3 possuem 126,8 milhões. Note que essa é uma aproximação grosseira, mas pelo menos combina com meus textos.

Supomos agora que o Papai Noel pode entregar o presente enquanto ainda for 0 horas (meia-noite a 1 da manhã), ou seja, tem aproximadamente 1 hora por região. Note que o tempo que sobra nas regiões nível 1 não faz a menor diferença, visto que ele tem um horário fixo para entregar os presentes. Fazendo as contas, a taxa de entrega em regiões nível 2 tem que ser de 734 presentes por segundo, o que dá ao nosso conhecido velho sacudo 1,4ms por criança. Considerando que todas as crianças moram em casas diferentes, ele tem 1,4ms para encontrar o presente da criança, descer do trenó, colocar o presente embaixo da árvore de natal (ou seja lá onde ele coloca), e avançar para a próxima residência. Em regiões de nível 3, que são maioria, ele tem que dobrar a taxa de entregas (que excelente conclusão lógica, estou pasmo), ou seja, tem 0,7ms por casa. Para te dar uma noção de quanto é esse tiquinho (<- palavra engraçada) de tempo, pense que com o tempo que você leva para dar uma piscadela (<- outra palavra engraçada), o Papai Noel deve atender 214 crianças. Note que mais uma vez temos um número subestimado, visto que nessa 1 hora tem que sobrar tempo para ele voltar ao pólo-norte e recarregar o trenó. Realmente bastante impressionante para um idoso obeso mórbido.

Quase finalizando toda essa análise bizarra e sem sentido, não podemos esquecer da carga do trenó. Se o Papai Noel desse uma bala (aproximadamente 3,8g) para cada criança do mundo, em uma região nível 3 ele deveria carregar 489 toneladas, o que não é tão absurdo assim, se comparado, por exemplo, com a existência de uma espécie mutante de rena capaz de voar, e um trenó que também flutua no ar (conclusão lógica, afinal, só assim para o trenó não ficar pendurado no ar). Assumindo cada presente com peso de 1kg, teríamos, para entrega de presentes em uma região nível 3, um trenó de 126.800 toneladas saindo do pólo norte!

Para finalizar de vez, uma pequena análise energética. Imagine o trenó do Papai Noel lotado, saindo do Pólo Norte em direção a uma região nível 3, viajando a 100km/h, a velocidade usual nas estradas brasileiras. Calculando a energia cinética do trenó, chegamos ao número absurdo de 49 gJ (10^9 J)! Essa energia é 0,1% da energia da bomba atômica lançada em Hiroshima. Certo, mas note que essa é uma velocidade muito pequena e insuficiente para o Papai Noel atender a todos os pedidos. Uma velocidade de 3000km/h (que ainda é insuficiente) é o bastante para que o trenó possua uma energia cinética equivalente à bomba de Hiroshima. Agora imagine o Papai Noel a uma velocidade bem maior que essa, e um acidente aéreo ocorrendo por qualquer causa (como por exemplo uma Rena empacar), fazendo com que o trenó colida ao solo. Um desastre mundial! Como a energia é proporcional ao quadrado da velocidade, é com grande pavor que anuncio que nosso planeta pode sair de órbita na noite de natal, e tudo por culpa do Papai Noel! Velho assasino!

Até ia discutir sobre problemas provenientes de detecção do trenó por radares militares, onda de choque produzida pelo trenó em velocidade super-sônica, problemas com casas sem chaminés, aparelhagem de segurança nas residências, atrito com ar (a velocidades extremas não poderíamos ver um trenó voando, mas apenas uma bola de fogo), obtenção de mais mão-de-obra para carregamento do trenó (afinal são absurdas toneladas de brinquedos), arquitetura de uma eficiente rede de análise de correspondências, e outras coisas mais. No entanto, já estou ficando cansado de toda essa análise, talvez eu devesse empregar meu tempo em coisas mais úteis…

O fato é que o natal corre um grande risco, afinal, a população mundial cresce (conseqüentemente o número de crianças), e os números discutidos acima estão chegando a valores cada vez mais preocupantes. Mas pensando bem, Papai Noel vai morrer logo, afinal, com todo esse ritmo de trabalho, e todos os problemas trazidos pela obesidade, ele deve infartar logo. Além do mais, se as coisas continuarem piorando do jeito que estão, em breve haverá uma revolta operária dos duendes verdes, trazendo o assassinato do (bom?) velhinho.

Bem, caro leitor, esse texto foi o presente de natal pra você. E não, não tinha algo melhor. O máximo que posso te dar a mais é um abraço e um beijo (esse último item apenas para mulheres, sinto muito). É como sempre digo, abraços e beijos são baratos, e no final todo mundo gosta. Meu saldo bancário também.

Desejo do fundo do meu coração um bom natal para você. E se você for um cristão, por favor, não se esqueça do verdadeiro sentido dessa data!

Que Deus abençoe a todos.

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5 Comentários »

  1. Bruno said,

    Não quero estragar seu tratado científico, mas acho que há erros no tempo de produção dos presentes, afinal, as crianças normalmente só decidem o que querem ganhar próximo do começo de Dezembro, fazendo o tempo de produção muito mais escasso.

  2. Suzana said,

    Oi Tony,… primeiramente PARABÉNS pelo aniversário amanhã… sei que já deixei no Orkut, mas não custa nada deixar aqui também…
    Sobre o texto.. bom.. olha que dizem que eu escrevo muito… então me assusto só com o que poderiam dizer de vc… meu Deus… que livro é esse?…ahahhaha
    Bom.. não me peça para entender as contas que vc fez… mas muito legal esse texto.. vc tem umas idéias incríveis sabia…
    Interessante como não tinha pensado sobre o fuso horário…e muito menos sobre um desastre como uma bomba atômica… ainda bem que é só uma crença né… ou estaríamos perdidos…

    Já tá bom.. de grande já basta seu texto…hhahhaha

    bye bye

    bjx

  3. Antonio said,

    Olá, Bruno.

    Realmente, você está certo, um erro mortal, obrigado por mencioná-lo. Natal que vem aperfeiçoarei a análise hehe.

    Abraço, um feliz natal.

  4. Suzana said,

    não é justo.. quem é esse Bruno que roubou meu primeiro lugar???

    chato… snif…snif.. snif.. vo bate nele…

  5. Antonio said,

    Olá, Suzana.

    Obrigado pelos parabéns xD

    O texto nem é tão longo assim. O fato é que ele acaba ficando numa coluna um pouco estreita, aí dá impressão que ele é maior do que realmente é.

    Obrigado pelos elogios!

    Beijo, um feliz natal.


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