dezembro 31, 2006

Ano Novo… e daí?

Posted in Posts às 10:32 am por Antonio

Olá, caro leitor.

Desculpe-me, mas eu precisava escrever algo a respeito da virada de ano, a época em que os aeroportos viram um caos (se bem que ultimamente reveillons não são necessários para que isso aconteça), rodoviárias também, estradas, etc. Todo mundo viaja para algum lugar, se veste de branco e solta fogos, tudo em comemoração a… ao… o que raios estamos comemorando? Alguém (ou “alguéns”) simplesmente definiu que nesse dia adiciona-se uma unidade à marcação de ano, simples assim. Pra que comemorar? Na verdade é uma simples desculpa para se fazer festas. Ao meu ver é uma das festas mais sentido que temos…

Vou te contar alguns segredos, meu assíduo leitor, visto que você sempre lê meus textos e, portanto, tem alguma confiança. A passagem de ano não significa nada, você se vestir de branco de maneira alguma vai influenciar em alguma coisa o “novo ano”, promessas que você fizer nessa data valerão a mesma coisa que promessas que você fez ontem ou qualquer outro dia, sua vida não vai mudar e nada vai melhorar, não de uma forma espetacular que não poderia acontecer em outro dia do mês. É simplesmente um dia passando.

Note, no entanto, que a passagem de ano faz grande diferença pra mim, realmente fica difícil dormir com todos aqueles fogos de artifício…

De qualquer maneira, um feliz 2007, embora isso não faça a menor diferença. Que nesses próximos 365 dias, em que nada vai melhorar, você possa ser feliz, de alguma maneira.

Que Deus abençoe a todos.

dezembro 28, 2006

Olhos Tristes

Posted in Posts às 9:46 pm por Antonio

Olá, caro leitor.

Meu incrível dom para não reparar nas coisas me surpreende. Apenas para te dar uma idéia, meu caro, se me separo de alguém em algum lugar, não consigo achar essa pessoa pela roupa, a não ser que eu faça um certo esforço antes para memorizar a cor. É típico de mim não reparar nas pessoas, nem no que elas vestem, nem em como mudaram desde a última vez que as vi, e muitas vezes nem de suas faces. Não sou do tipo observador, e para piorar a situação, minha memória está longe de ser digna de inveja. Já aconteceu várias vezes, inclusive, de eu esquecer do rosto de pessoas conhecidas, e conhecidas há muito tempo, devo mencionar. Esquecer eu me refiro a não conseguir montar a imagem da pessoa em minha mente, felizmente consigo reconhecê-las, o que é bastante conveniente. Claro que acabo reparando em algo que tenha algo que chame muita minha atenção, e um acontecimento como esse é justamente o assunto sobre o qual trata-se esse texto.

Certa tarde, estava voltando da faculdade, dentro do ônibus, perdido em pensamentos idiotas, aquela coisa de sempre que você com certeza já experimentou em momentos de desocupação. O fato é que entrou um homem, cuja face já não me recordo mais. Virando a cabeça para dar aquela olhada automática que geralmente não serve pra nada, acabei reparando nos olhos do sujeito. Segue, como de praxe, um apelo ao leitor para que não considere meus relatos como algo gay. Embora tenha certeza de que esse aviso não é necessário, por algum motivo sinto vontade de escrevê-lo. Mas enfim, voltando ao assunto, essa pessoa tinha uns olhos estranhos que me chamaram bastante a atenção. Eram olhos tristes. O motivo pelo qual digo que os olhos do homem eram tristes eu não sei ao certo, o fato é que o dono daqueles olhos, por algum motivo, me causava um certo sentimento de pena. Algum tempo depois o homem desceu do ônibus, mas não consegui esquecer os olhos dele. O pior é que lembrar deles, por algum outro motivo desconhecido, estava me deixando triste. Note que não há nenhuma lógica nisso que estou escrevendo, nem sei ao certo do que estou falando, isso é apenas um relato (inútil) de como me senti.

Decorrido algum tempo, continuei pensando nos olhos do homem, e misteriosamente lembrei dos olhos de duas pessoas, dois parentes na verdade. Um deles vi há alguns poucos anos, mas o outro não vejo desde que era criança. Eles tinham os olhos exatamente iguais ao da pessoa do ônibus. O que achei impressionante da história toda, foi ainda possuir a lembrança de um pequeno detalhe dessas pessoas distantes. Por algum motivo os olhos delas me impressionaram assim que as vi, e inconscientemente acabei formando a lembrança.

Cheguei em casa deprimido, embora nada demais tenha acontecido. O que as vezes me irrita não é o fato de eu não poder comandar meus sentimentos, mas sim de não entender a razão deles.

Após esse dia, fiquei bastante interessado nos olhos das pessoas, uma parte realmente interessante do corpo, e bela. Existem olhos mais bonitos que outros, mas todos são lindos. Repare nisso, caro leitor. Não consigo descobrir a razão pela qual muitas pessoas têm medo de olhar nos olhos das pessoas com as quais elas estão falando. Note nas pessoas que não te conhecem, caro leitor, mas com as quais você é de certa forma obrigado a conversar, um caixa de supermercado, por exemplo. Já reparou que essas pessoas falam sem olhar em seus olhos? Ficam sempre distraídas com outra coisa, ou fazem questão de se mostrarem assim. E você também, por acaso olha nos olhos enquanto ouve alguém? Qual a razão desse medo estranho?

Acabei de perceber que o texto ficou mais inútil do que eu pensava que ficaria. De qualquer maneira, estava pensando nesse tema há pouco tempo durante o banho e fiquei com muita vontade de escrever. Espero que tenha sido agradável de alguma forma. Sobre a imagem que precede o texto, infelizmente ele não é do tipo de olho que eu estava falando a respeito, olhos tristes do jeito que vi são realmente raros…

Que Deus abençoe a todos.

dezembro 25, 2006

Papai Noel – uma análise científica

Posted in Posts às 8:31 pm por Antonio

Olá, caro leitor.

Primeiramente peço desculpas pelo imenso tempo sem publicar nada aqui. Esse blog ficou sem visitas, foi deletado dos favoritos de algumas pessoas, enfim, quase caiu no total e absoluto esquecimento. No entanto, aqui estou eu novamente, para encher sua cabeça de coisas inúteis. Talvez você esteja se perguntando a razão pela qual parei de escrever, talvez não, mas vou dizer do mesmo jeito. A razão foi minha inseparável companheira. Seja durante às aulas ou durante as férias, ela nunca me abandonou. Sempre me fazendo pensar várias vezes antes de fazer qualquer coisa, ela acabou se tornando parte de minha vida. O nome dela é Preguiça, aposto que você já conviveu bastante com ela também. Mas enfim, isso não importa nem um pouco.

Tive algumas idéias sobre assuntos sobre os quais escrever, mas essa acaba por ser a mais urgente, afinal, hoje é natal, e se passar de hoje não posso mais escrever sobre Papai Noel. Quando tive a idéia de fazer uma análise um pouco científica (sendo bastante pretensioso nesse comentário) sobre esse personagem, realmente fiquei animado, por um instante achei uma idéia inovadora. Para meu espanto, no entanto, enquanto procurava no oráculo (Google) por informações necessárias para essa análise, achei muitos e muitos textos escritos exatamente do jeito que eu pretendia escrever. Realmente ser diferente parece um tanto quanto complicado. Mas o fato é que fiz questão de não ler os outros textos, de modo que pudesse escrever algo original, mesmo que sendo sobre um tema tão explorado como esse.

Comecemos então com a grandiosa análise.

Todos conhecemos a lenda do Papai Noel. Um velho gordo de saco grande (!), vestido com uma roupa um tanto quanto original, barba por fazer, que por algum motivo desconhecido, bizarro e medonho, parte do pólo norte em um trenó puxado por renas voadoras e entrega presentes a todas as crianças do mundo. Será discutido a seguir diversos pontos a respeito dessa profissão única. Comecemos então pela fabricação dos brinquedos.

Diz a lenda que ele mora com vários duendes verdes no pólo norte em sua fábrica de brinquedos. Um mistério que até hoje permanece sem solução é a fonte de renda do Papai Noel, afinal, ele gerencia uma fábrica inteira e deve fabricar aproximadamente 2,1 bilhões de brinquedos por ano. Mesmo mantendo os duendes trabalhando em regime escravo, os custos com matéria-prima, energia elétrica, projeto dos produtos e pagamento das patentes dos brinquedos devem ser bastante elevados, fora o sustento dos duendes (mesmo que vivendo em condições subhumanas) e outros custos adicionais. Subestimando o custo final do produto em 1 dólar, temos 2,1 bilhões de dólares (que capacidade incrível de cálculo eu tenho) proveniente de “sabe-se lá onde” (pode até ser dinheiro sujo) gastos pelo Papai Noel para fabricação dos brinquedos. Outra questão interessante a respeito da fabricação dos brinquedos é o tempo de produção. Suponho que há 364 dias de trabalho no pólo norte (mais uma vez supondo a exploração dos pobres duendes verdes que não têm descanso), temos 8736 horas de serviço para produção dos 2,1 bilhões de brinquedos, o que nos leva a uma taxa de produção de 240.385 unidades por hora, ou 67 unidades por segundo. Essa taxa também está subestimada, visto que há o tempo de projeto dos produtos e toda logística da coisa, mas mesmo assim parece uma boa aproximação. Supondo que uma linha de produção consegue produzir 1 unidade por segundo se for rápida o bastante, precisaríamos de 67 linhas de produção trabalhando simultaneamente para atender à demanda. Um pouco mais na verdade, afinal, como são brinquedos diferentes, há o tempo de preparo da linha de produção para o novo produto, fora que, por mais mágico que tudo seja, as máquinas estão sujeitas a defeitos. Considerando que há dois turnos de produção, e que cada linha de produção exige ao mínimo 10 duendes, teríamos aproximadamente 1350 duendes trabalhando em regime escravo. Uma quantidade enorme de escravos com certeza necessitam de muitos carrascos, mas vou parar de me aprofundar por aqui, já estou ficando cansado. No final das contas, suponho uma população de 2500 “seres” no pólo norte e custo anual de 5 bilhões de dólares para manter a fábrica subterrânea do velho explorador.

Passemos agora para o aspecto do tempo das entregas. Diz a lenda que a meia-noite da véspera de natal (ou as 0 horas do natal, que seja), o Papai Noel faz as entregas de presentes às casas. Note que ao contrário do que muita gente pensa, ele não precisa fazer isso para todas as crianças ao mesmo tempo, isso seria impossível! Não se esqueça dos fusos horários, meu caro leitor. Sim, eu sei, mesmo assim continua impossível, mas pelo menos fica mais fácil (?!). Para possibilitar a análise, segue um mapa de fusos (que está arrasando a formatação do blog):

Para fins analíticos, defini 3 níveis de intensidade “criançal”, chamados (criativamente) de níveis 1, 2 e 3.

Nível 1: Considerado praticamente inabitado, definitivamente Papai Noel não entrega presentes nessa região.
Nível 2: Nível médio de crianças.
Nível 3: Oh yeah baby, muitas crianças, o dobro de uma região nível 2.

Encaixando cada faixa de fuso horário nos níveis, temos:

Nível 1: GMT -12, -11, -10, -2, -1, +11, +12.
Nível 2: GMT -9, -3, +10.
Nível 3: GMT -8, -7, -6, -5, -4, 0, +1, +2, +3, +4, +5, +6, +7, +8, +9.

Para terminar toda essa análise chata, fiz uns simples cálculos de proporção com as 2,1 bilhões de crianças no mundo para chegar aos números aproximados de crianças por cada região. Regiões nível 2 possuem 63,4 milhões de crianças e regiões nível 3 possuem 126,8 milhões. Note que essa é uma aproximação grosseira, mas pelo menos combina com meus textos.

Supomos agora que o Papai Noel pode entregar o presente enquanto ainda for 0 horas (meia-noite a 1 da manhã), ou seja, tem aproximadamente 1 hora por região. Note que o tempo que sobra nas regiões nível 1 não faz a menor diferença, visto que ele tem um horário fixo para entregar os presentes. Fazendo as contas, a taxa de entrega em regiões nível 2 tem que ser de 734 presentes por segundo, o que dá ao nosso conhecido velho sacudo 1,4ms por criança. Considerando que todas as crianças moram em casas diferentes, ele tem 1,4ms para encontrar o presente da criança, descer do trenó, colocar o presente embaixo da árvore de natal (ou seja lá onde ele coloca), e avançar para a próxima residência. Em regiões de nível 3, que são maioria, ele tem que dobrar a taxa de entregas (que excelente conclusão lógica, estou pasmo), ou seja, tem 0,7ms por casa. Para te dar uma noção de quanto é esse tiquinho (<- palavra engraçada) de tempo, pense que com o tempo que você leva para dar uma piscadela (<- outra palavra engraçada), o Papai Noel deve atender 214 crianças. Note que mais uma vez temos um número subestimado, visto que nessa 1 hora tem que sobrar tempo para ele voltar ao pólo-norte e recarregar o trenó. Realmente bastante impressionante para um idoso obeso mórbido.

Quase finalizando toda essa análise bizarra e sem sentido, não podemos esquecer da carga do trenó. Se o Papai Noel desse uma bala (aproximadamente 3,8g) para cada criança do mundo, em uma região nível 3 ele deveria carregar 489 toneladas, o que não é tão absurdo assim, se comparado, por exemplo, com a existência de uma espécie mutante de rena capaz de voar, e um trenó que também flutua no ar (conclusão lógica, afinal, só assim para o trenó não ficar pendurado no ar). Assumindo cada presente com peso de 1kg, teríamos, para entrega de presentes em uma região nível 3, um trenó de 126.800 toneladas saindo do pólo norte!

Para finalizar de vez, uma pequena análise energética. Imagine o trenó do Papai Noel lotado, saindo do Pólo Norte em direção a uma região nível 3, viajando a 100km/h, a velocidade usual nas estradas brasileiras. Calculando a energia cinética do trenó, chegamos ao número absurdo de 49 gJ (10^9 J)! Essa energia é 0,1% da energia da bomba atômica lançada em Hiroshima. Certo, mas note que essa é uma velocidade muito pequena e insuficiente para o Papai Noel atender a todos os pedidos. Uma velocidade de 3000km/h (que ainda é insuficiente) é o bastante para que o trenó possua uma energia cinética equivalente à bomba de Hiroshima. Agora imagine o Papai Noel a uma velocidade bem maior que essa, e um acidente aéreo ocorrendo por qualquer causa (como por exemplo uma Rena empacar), fazendo com que o trenó colida ao solo. Um desastre mundial! Como a energia é proporcional ao quadrado da velocidade, é com grande pavor que anuncio que nosso planeta pode sair de órbita na noite de natal, e tudo por culpa do Papai Noel! Velho assasino!

Até ia discutir sobre problemas provenientes de detecção do trenó por radares militares, onda de choque produzida pelo trenó em velocidade super-sônica, problemas com casas sem chaminés, aparelhagem de segurança nas residências, atrito com ar (a velocidades extremas não poderíamos ver um trenó voando, mas apenas uma bola de fogo), obtenção de mais mão-de-obra para carregamento do trenó (afinal são absurdas toneladas de brinquedos), arquitetura de uma eficiente rede de análise de correspondências, e outras coisas mais. No entanto, já estou ficando cansado de toda essa análise, talvez eu devesse empregar meu tempo em coisas mais úteis…

O fato é que o natal corre um grande risco, afinal, a população mundial cresce (conseqüentemente o número de crianças), e os números discutidos acima estão chegando a valores cada vez mais preocupantes. Mas pensando bem, Papai Noel vai morrer logo, afinal, com todo esse ritmo de trabalho, e todos os problemas trazidos pela obesidade, ele deve infartar logo. Além do mais, se as coisas continuarem piorando do jeito que estão, em breve haverá uma revolta operária dos duendes verdes, trazendo o assassinato do (bom?) velhinho.

Bem, caro leitor, esse texto foi o presente de natal pra você. E não, não tinha algo melhor. O máximo que posso te dar a mais é um abraço e um beijo (esse último item apenas para mulheres, sinto muito). É como sempre digo, abraços e beijos são baratos, e no final todo mundo gosta. Meu saldo bancário também.

Desejo do fundo do meu coração um bom natal para você. E se você for um cristão, por favor, não se esqueça do verdadeiro sentido dessa data!

Que Deus abençoe a todos.