julho 22, 2006

Confronto mortal

Posted in Posts às 1:08 am por Antonio

Era uma noite de lua cheia que poderia ser uma noite como todas as outras se não fosse a presença de dois seres, imóveis, encarando um ao outro, aparentemente tensos, na espera de qualquer movimento. Estávamos apenas eu e ele. O suor escorria pela minha face, e eu tentava conter o tremor que tomava conta de meu corpo. Eu bem sabia que teria que acabar com aquilo usando apenas um golpe, pois se errasse eu nunca mais teria outra oportunidade daquela. Além do mais, uma falha abriria as portas para uma vingança dele, que iria causar um tormento que duraria muito tempo. Minhas tentativas de convencer a mim mesmo que não havia motivo para ficar nervoso foram frustradas. E ele lá, imóvel, impassível, parecendo estar analisando todos os meus movimentos. Pensei em pegar alguma arma, mas não havia tempo, um único descuido e eu falharia em meu objetivo. Definitivamente um momento muito difícil, pensei até em desistir, mas por algum motivo não o fiz, continuei no mesmo local, atento a qualquer movimento do inimigo e preparando meu golpe. Finalmente cheguei a um momento crítico, ele se moveu um pouco, achei que teria que desistir de tudo. Mas por alguma razão, a chama da esperança acendeu dentro de mim e me motivou a terminar o que tinha proposto. Mesmo com a visão turva devido ao cansaço, fixei meu olhar em um único ponto, recolhi minha mão direita para concentrar a força que me restava e executei o golpe, forte e objetivo. Consegui, o golpe foi certeiro. Minha mão repleta de sangue e o estado do cadáver não deixaram dúvidas que a missão havia sido concluída com êxito. Fui tranqüilamente lavar minha mão ensagüentada. Sentir a água correndo entre os meus dedos e observar o sangue desaparecendo com ela causou-me uma sensação de relaxamento e paz. Voltei ao local da morte para verificar a situação. O cadáver jazia no chão, totalmente desfigurado devido ao meu golpe. Observei essa cena com calma e sem remorso. Não havia motivo para me arrepender do que fiz, ele mereceu, afinal, estava me causando um mal terrível. Mas e agora, o que faria com o cadáver? Depois de todo o mal que me causou, ele realmente não merecia minha bondade para levá-lo, mesmo que estivesse morto. Ele deveria ficar ali, no chão, e permanecer em decomposição até desaparecer da face da terra. Na verdade, ele merecia mais alguns golpes para terminar de estraçalhar aquele corpo maldito. Mas resolvi não fazer isso, não por um sentimento bom, tenho que admitir, mas pelo fato do cansaço já ter consumido meu corpo. Precisava urgentemente de descanso. Resolvi então ir dormir, em paz agora, afinal, o pernilongo que tanto me atormentava já estava morto.

Deus nos abençoe.

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10 Comentários »

  1. Dani said,

    Oie Antonioooo
    hehe logo imaginei q seria pernilongo
    jah ouvi uma historia parecida
    mas foi bom
    eu gosto d ler oq vc escreveee
    bjoooos

  2. Lucas said,

    hahahah não imaginei que fosse um pernilongo. ficou legal

  3. Iara said,

    Realmente…ficou mto legal!!!
    Seu modo de conduzir a narrativa me fez lembrar o Kafka. Continue assim que sua carreira como cronista irá mto longe…heuheueheuheu
    bjaum!!!

  4. Ioo, realmente impressionante como vc prendeu a atenção do leitor nesse texto…Muito bom mesmo ^^

    Oyasumi Antonio-san.

    by Kurashima
    http://aetrks.spaces.msn.com

  5. Suzana said,

    Oi Tony… muito legal a história de suspense que termina em comédia… pois é..que pernilongo feroz hein…ahahahha…

    falow..

    bye bye

    bjx

  6. victor marostega said,

    nossa, kra! muito foda! congratulações… hehe!

  7. Dayane said,

    Como eu já te disse anteriormente… o começo ficou um tanto gay (tá.. eu sei que essa foi sua real intenção)
    Muito bom o texto…

  8. Ana Clara said,

    Antonio, meu querido. Tinha pensado no comentário deste post há um certo tempo, mas confesso que esqueci-o. E também não posso deixar de salientar a veia literária (e cômica) que perpassou todo o post. Sinto-me orgulhosa de ver um quase-engenheiro enveredando por este lado. Quanto a mim, fique certo de que me diverti muito com a descrição assassínica… continue assim!! E tenha certeza de que estarei sempre de olho nas suas produções textuais ;))
    Abraços!!!

  9. Ana Clara said,

    Ei, tá na hora de escrever aqui, não?!?
    Beijos

  10. Felix said,

    Oi Antonio, vim aqui visitar novamente o seu blog 🙂
    Só não seja louco demais XD


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